EUpreender para gerar impacto positivo no mundo

Quando toma uma xícara de café, mais que o aroma e o sabor especiais dos grãos da marca Wolff Café, Pedro Vilela (na foto, sentado à frente, à direita) sente a satisfação de um projeto dando certo. E tem certeza de sua escolha profissional de abrir o próprio negócio e investir em empresas de impacto positivo no mundo. Foram vários passos até aqui, cada um com diferentes aprendizados.  
 
O interesse nessa área começou na infância, com o exemplo de seus pais –Pedro, médico a serviço a do setor público, e Roseane, engenheira civil que trabalhava com habitação popular. 
E nunca mais o abandonou. Aos 18 anos, ele veio de São José do Rio Preto para São Paulo para cursar Administração de Empresas no Ibmec (hoje, Insper). Após alguns estágios em pequenas empresas – o ambiente de startups o atraia –, Pedro conseguiu seu primeiro emprego na Integration - Consultoria de Estratégia e Gestão, voltada ao mercado de grandes multinacionais, logo depois de formado. 
  
“Foi uma grande escola, atuei em projetos de Finanças, Estratégia, Vendas e Marketing, e entendi o que é a gestão de um negócio”, lembra. Por quase 10 anos, ele prestou serviço para grandes organizações no Brasil e no Exterior. Morou no México, Estados Unidos, Inglaterra, Índia e África do Sul. "Sou extremamente e eternamente grato à Integration, pois lá conquistei minha primeira renda, bons amigos, minha esposa e um caminhão de aprendizados técnicos e de valores, que levarei para minha vida". 
 
Durante esse período, também cursou MBA em Estratégia e Finanças, na Indian School of Business (ISB), na época a instituição top 12 pelo ranking do Financial Times. Escolheu a Índia por ser uma cultura diferente: queria abrir a cabeça “em uma civilização mais espiritualizada" e, além disso, o país era bastante fértil de empresas de impacto social positivo – o viés de empreendedor sempre aparecia em sua trajetória. 
 
De volta ao Brasil em 2010, Pedro trabalhou por mais três anos na Integration, ajudando na criação do escritório em Londres, atualmente com mais de 20 pessoas, voltado para a Europa. 
Após esse período, começou sua fase empreendedora própria e resolveu ir atrás dos seus projetos. Com seu cunhado, chef de cozinha, abriu a CO.MO. (Cozinha Móvel), uma cozinha industrial de produção, que abastecia um food truck, seguindo modelos de sucesso na Europa. Os sócios, no entanto, por diversos motivos, decidiram sair do negócio e vender seus ativos. 
 
“Apesar das dívidas e dos problemas para gerenciar, foi um período de muito crescimento”, afirma Pedro. Mesmo querendo continuar a empreender, voltou, por necessidade, ao mercado corporativo. Foi trabalhar em um fundo de crédito no Pátria Investimentos, onde aprendeu bastante sobre transações de crédito e equity (compra e venda de empresas), captação de recursos e como lidar com investidores no ambiente de empresas de médio porte no Brasil. 
 
Olhar EUpreendedor – Nesse período, começou um processo de coaching com Eduardo Seidenthal, fundador da Rede Ubuntu, para trabalhar o seu propósito. Na troca de ideias sobre EUpreendedorismo, os interesses da juventude ficaram ainda mais claros: trabalhar em empresas voltadas à inclusão social e/ou ao consumo consciente/sustentabilidade. “Os diálogos, a metodologia e as reflexões me ajudaram a organizar o que amo fazer, com o que sei fazer e para quem quero fazer. Sou muito grato ao Edu”, ressalta. 
 
Com o propósito definido, era hora de encontrar os caminhos para colocá-lo em prática.  
 
Assim, Pedro fundou a Rise Ventures, uma venture builder que atua na estruturação de teses de investimento – captação de investimento, atração e desenvolvimento de pessoas –, e gestão do crescimento para empresas pequenas que possuem de impacto social e/ou ambiental positivo. A Rise cobra uma mensalidade fixa baixa para democratizar o acesso aos serviços, um success fee (taxa de sucesso que depende da efetiva captação dos recursos) e uma participação societária minoritária dos negócios que se torna sócia. Assim, ela se monetiza. 
 
Pouco tempo depois de iniciar Pedro conheceu Daniel Madureira, que se tornou seu sócio no terceiro mês do negócio. Os dois montaram a equipe, hoje com 6 pessoas, e começaram a trabalhar. Aplicaram o piloto da metodologia na Wolff Café, seu primeiro cliente, e deu certo. Mais que isso: o modelo de negócios da Rise se mostrou efetivo e bem-vindo tanto às empresas que serve, quanto aos investidores-anjo que considerem aportar recursos.  
 
Café de qualidade – A Wolff atua na torrefação de cafés especiais, reunindo os melhores grãos crus nacionais, fornecidos por pequenos produtores. Hugo Wolff, seu fundador, é um barista e mestre de torras apaixonado pela profissão, que sempre quis difundir a qualidade dos cafés no Brasil. Viu na Rise um complemento de gestão importante para isso. O impacto positivo da Wolff Café é gerado por projetos de melhoria de produtividade, junto aos pequenos produtores, além do plantio de árvores para zerar a emissão de CO2, o pagamento do preço justo pelo café e o olhar para as famílias no campo.  
 
Em paralelo, ao longo do primeiro ano do negócio, celebrado em julho de 2017, Pedro e Daniel chegaram a conversar com mais de 30 empresas para definir quais seriam os próximos projetos que escolheriam. Feliz, realizado e motivado, Pedro já estuda dois novos projetos de investimento: alimentação vegana e energia solar. 
 
Os resultados desse primeiro ano são positivos: “Ganho menos, mas com um sorriso bem maior, pois todos ganham juntos. Quanto mais a Rise crescer, mas impacto positivo no mundo e, consequentemente, mais retorno financeiro. Temos muito trabalho para os próximos anos”, avalia. 

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Silvia Maiolino
Acredito no poder transformador e de conexão da Comunicação. Jornalista, com mais de 25 anos de experiência em Comunicação Corporativa, dirijo a Quasar Comunicações. Busco oferecer soluções digitais, impressas e de relacionamento, atendendo às demandas dos clientes de forma customizada, Serviços: Mídias Digitais, sites, publicações impressas, Relações com a Imprensa, eventos e treinamento.