A arte de escutar

Minha profissão me permite acompanhar outros seres humanos na busca dos seus propósitos e também de escutar histórias e aprender delas. Um mestre um dia falou que “escutar o outro é aceitar que o este mundo não é igual ao meu, que o que vê não é o mesmo que eu vejo, que o que ouço não é o mesmo que ouves, enfim que há diferenças entre nós”.  
 
Achei isso fantástico porque cada vez que escuto posso, por fim, entrar neste mundo que me oferecem e, então, se abrem inúmeras possibilidades de aprendizado que antes não estavam disponíveis para mim. Porque, a partir disso, posso ver o mundo desde outro olhar e, aí, também consigo nutrir respeito, empatia, carinho e assim vai… Aqui, vale a distinção que ‘ouvir’ é biológico porque nós que temos ouvidos em estado de normalidade ouvimos, porém, ‘escutar’ está mais além. Escutar é possível na conexão e está além dos ouvidos. 
 
Estacionamos na vida quando paramos de escutar a nós mesmos, pois essa conexão com o que temos dentro de nós permite escutar o sagrado em nós, o que nos conecta com o universo, com o todo. Quando queremos silenciar o sagrado que existe internamente tendemos a procurar adquirir coisas. A necessidade de ganhar mais e mais, comprar coisas para existir desde este lugar onde só somos porque temos. Onde tudo é externo e tudo que encontramos está fora de nós.  
 
Para mim, o consumismo é, em essência, a busca de calar nosso ‘ser grande’, aquele que é suficiente, aquele que se satisfaz com este momento, que aprende dele, que confia que se hoje há chuva é para que nasçam e floresçam lindos canteiros.  
 
A escassez está conectada com a sensação de solidão. Que está também com a impossibilidade de acreditar que se pode pedir ajuda. A crença de precisar ser autossuficiente. Precisamos nos conectar com nossa vulnerabilidade, pois assim conseguimos acreditar que se pode contar com o outro. Ao acreditar no enorme poder da interdependência abrimos a possibilidade para os que nos amam exercitem este amor e, ao receber, também podemos exercitar o amor em nós. 
 
As relações podem e devem estar sempre permeadas de cuidados, de atenção à escuta daquilo que cada um necessita. Precisamos de tempo para amadurecer, precisamos de escuta para conhecer, precisamos de coragem para exercer a interdependência. Essa emoção, a coragem, nos mobiliza a fazer, mesmo não tendo certeza dos resultados. Vamos lá, coragem!

Facebook Twitter Linkedin+
Profile picture for user Ana Zacharias
Ana Zacharias
Meu propósito é acompanhar pessoas no reconhecimento da sua autenticidade e da liberdade que o autoconhecimento proporciona. Atuo como coach, sou criadora e facilitadora de programas de autoconhecimento, mentora e integrante do board do projeto Libria, cofundadora do Villa Coworking. Formada em coaching ontológico pela Newfield Network no Chile; Executive e Life Coach pela ICI. Com 24 anos de expe