Ouse saber e fazer!

“Saber e não fazer, ainda não é saber”. (Lao-Tsé)

 

Tem um momento difícil da vida, quando sabemos as coisas, mas ainda não conseguimos fazer. É o ponto que separa o conhecimento da sabedoria.

Estudando processos de mudança, aprendi que isto não é incompetência e, sim, parte natural do processo. A primeira etapa é quando não sabemos que não sabemos (incompetência inconsciente). Depois, percebemos, mas ainda não conseguimos mudar, ou “sabemos, mas não fazemos” (incompetência consciente). 

Evoluímos (com muito esforço!) para o momento em que sabemos e fazemos, ainda com esforço (competência consciente), até o momento em que fazemos naturalmente (competência inconsciente) – se Deus quiser, Amém!

Ou seja, não é fácil..., mas é preciso. É um processo sem retorno. Uma vez que tomamos consciência de algo, não tem como voltar atrás ou deixar de saber.

Como dizia a minha avó, “a ignorância é uma benção”, porque de alguma forma ela exime todo este processo; bem como seus benefícios, a evolução.

Uma vez, ouvi uma estorinha que muito me ajudou a entender esse processo e a ser mais gentil comigo, durante a minha transição de carreira:

“Um sábio anda pela rua e desapercebido cai em um buraco. Depois de muito esforço, consegue sair e segue a caminhada. No dia seguinte, vai pelo mesmo caminho. Desatento, se esquece e novamente cai, rapidamente se levanta e continua. No terceiro dia, por força do hábito, ainda cai, mas imediatamente sai. No quarto dia, ele vê o buraco e desvia.”

Cair no buraco, sabendo que ele está lá, é um momento frustrante, mas é o mais próximo do momento de conseguir desviar dele. Errar sabendo é doído. Mas se, ao invés de raiva, culpa ou frustração, colocarmos mais consciência nisto, estaremos mais próximos de não cair no buraco. No mesmo... Ou aprenderemos a sair cada vez mais rápido dele, até conseguirmos desviar.

Quem já tentou mudar sabe como é a jornada... Entre saber e fazer tem um longo percurso. Afinal, quem não sabe o que tem que fazer? E quem consegue? Conseguir é transformar conhecimento em sabedoria e vida com menos buracos.

Mas vale lembrar que tem muita gente que passa a vida caindo nos mesmos buracos sem ao menos se dar conta. E a percepção disto já é um passo.

Sim, saber e não fazer não é tudo, mas é um bom começo. E a frustração da mudança não ser imediata, de demandar esforço e voltar ao padrão antigo, mesmo sabendo que já não funciona, é parte do processo. E não há razão para desistir dele.

Diferente do que pensamos, as grandes mudanças não vêm de grandes decisões, mas das pequenas, repetidas com frequência.

Mudar não é fácil, mas é preciso, caso você não queira passar a vida caindo nos mesmos buracos.

Acredito que somos consequência de três coisas: o que nascemos, o que aprendemos e o que escolhemos. E nesta última, a bola é toda nossa.

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos”, escreveu o uruguaio Eduardo Galeano.

Uma batalha nem sempre fácil, mas absolutamente fundamental para nossa construção. Para quem não quer padecer da síndrome de Gabriela: “eu nasci assim, eu cresci assim, eu vou ser sempre assim…”

 

Boa sorte a todos que ousarem! 

 

 

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Patrícia Giglio, a Pata
Depois de 15 anos em multinacional, em Marketing e Inovação; resolvi focar meus talentos na minha paixão: gente. Hoje trabalho com mudança e inovação de pessoas: propósito ( programa Rua), transição de carreira, Team Building, treinamento e desenvolvimento de liderança etc. Apaixonada por esporte e natureza, com formação em Yoga. Formada pela FGV, Pedagocia da Cooperação, SBCoaching etc...