Quando a flexibilidade passa a ser questão de sobrevivência!

Em pesquisa recente sobre as expectativas dos profissionais em relação a trabalho remoto e horário flexível, encontrei informações que considerei úteis para os quase 14 milhões de pessoas sem emprego em nosso País. Permito-me compartilhar minhas principais reflexões, com o intuito de provocar as suas, dada a dimensão do estudo, que reuniu 14 mil profissionais, entre 25 e 60 anos, de 19 países, e foi realizado pela ManpowerGroup Solutions.

Muito em breve, deixará de ser opção para as empresas flexibilizar demandas como quantidade de horas de trabalho, horários de entrada e saída, abertura para se trabalhar em casa parte do tempo, assim como ausências negociadas, seja para períodos sabáticos de desenvolvimento pessoal, seja para apoiar a família em momentos importantes como nascimento de filho, doenças graves de tratamentos longos, entre outros. Mais de 40% dos profissionais pesquisados colocaram flexibilidade de jornada e vínculo entre os três principais critérios para escolher onde trabalhar.

Talvez, em pouco tempo, organizações que desconsiderarem estas demandas terão dificuldades para atrair e manter boa parte dos talentos que necessitam. Licenças não remuneradas e vínculos part time ou temporários igualmente serão pautas frequentes nas negociações entre profissionais e empresas.

Flexibilidade é, portanto, a mensagem chave que a pesquisa traz e transfiro a você, sem trabalho e renda, ousando te pedir que pense como incorporar esta atitude às suas estratégias e maneiras de procurar trabalho.

Por que é preciso mudar o processo, o jeito de se fazer algo quando não se alcança o sucesso almejado?

Porque é inútil insistir chegar a um lugar diferente usando o mesmo caminho!

Se você já distribuiu um número incalculável de currículos, bateu em incontáveis portarias de empresas, pediu ajuda, apresentações, solidariedade de centenas de amigos e nada ocorreu, precisa usar outras formas para fazer chegar a informação do que você sabe, do que pode e quer fazer a quem está precisando de alguém como você.

Uma sugestão? Comece pensando nos problemas que você sabe que sabe resolver e não no cargo ou oportunidade que almeja. Vagas abertas são cada dia mais raras nas empresas, mas os problemas... Tente encontrar uma empresa que não os tenha em abundância, em qualquer área. E, pior, muitas vezes sem ideia de como resolvê-los.

Flexibilize, portanto, sua forma de reconhecer qual é, de fato, o seu trabalho, encarando-o como sua capacidade de resolver problemas!

Em seguida, flexibilize sua busca, mudando a pergunta.

Ao invés de: “Você sabe quem está contratando”, que tal: “ Você sabe quem está com este problema?”

Quando estiver diante do “dono do problema”, flexibilize sua abordagem, mudando o foco da conversa. Não comece falando de você, ao contrário, mostre interesse e o estimule a falar sobre as preocupações e necessidades que o afligem.

Esta conversa dará uma boa perspectiva de onde realmente você poderá ajudar.

Aí, sim, apresente exemplos de situações similares que viveu e ajudou a solucionar, declarando sua disposição de fazer o mesmo, agora, para ele.

Você se surpreenderá com a reação da maioria das pessoas quando sentem no outro uma verdadeira vontade de ajudar!

Outro ponto: amplie o seu leque de ofertas.

Sabe aquela habilidade que você reconhece ter, mas nunca foi aplicada (ou aproveitada) nos seus empregos anteriores, por isso, apenas percebida no círculo de amigos e família ou na comunidade extraprofissional? Alguns bons exemplos: cozinhar, organizar festas, resolver conflitos, administrar contas, dar palestras na igreja, organizar a associação de bairro, liderar atividades esportivas no clube...

Pensar em todas as áreas em que você é competente e passar a também pensar nelas como oferta, é sobre isso que estamos falando.

Por fim, flexibilize, expandindo o foco dos seus alvos, pensando em novas regiões, fora dos grandes centros. Neles, as necessidades tendem a ser maiores e pode haver carência de oferta de pessoas qualificadas como você.

Tenho amigos e clientes que seguiram esta estratégia e conseguiram ótimos trabalhos em Palmas, Catalão, Toledo. Se você nunca havia ouvido falar nestas cidades, pergunto: Quantas outras você sequer sabe da existência e situação atual?

Expandir geograficamente o que você chama de mercado exigirá flexibilizar sua disposição para mudanças. Talvez, maiores do que você gostaria, porém, a vida apresenta surpresas quando nos dispomos a, no mínimo, pesquisar e considerar possibilidades nunca antes imaginadas.

Novas situações e novos caminhos, invariavelmente trazem aprendizados e crescimento.

Flexibilizar é, também, passar a ver as pedras no caminho como Fernando Pessoa o fez, ao lindamente escrever: “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”.

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Zé Renato Siqueira Jr.
Sou consultor de carreiras, estratégias e desenvolvimento. Trabalho desde 1988 com orientação profissional, ajudando pessoas a descobrirem e assumirem seu potencial e papel no mundo do trabalho. Atuei em várias empresas, com especial destaque para a Rhodia e DBM do Brasil (hoje LHH).